
Já todos viram, concerteza, em qualquer mercado, supermercado ou grande superficie, aqueles cromos armados em grandes entendidos da fruta (estou a falar daquela que cresce nas árvores, não é aquela que o Pinto da Costa oferece aos árbitros), agarrados aos melões (uma vez mais é da fruta que estou a falar, não se ponham já a pensar em badalhoquices), para escolherem o melhor. Apalpam, dão pancadinhas secas, sentem o peso, cheiram, apertam, enfim, utilizam um infinito manancial de truques que na sua imensa sabedoria, lhes permite escolher o melhor.
A verdade é que muitas vezes chegados a casa, abrem o dito cujo e aquilo não presta para nada. É tramado, mas o melão só se sabe se é bom, depois de se experimentar.
Ora no futebol, as contratações são um bocadinho como os melões. Só sabemos se resultam depois de feitas e do contratado mostrar o que vale (ou o que não vale, quando é esse o caso). No entanto, existem alguns truques que não passam exactamente por apalpadelas ou andar a cheirar o cromo da bola que permite minimizar o risco de contratar uma vedeta que depois se vem a revelar um keyrison!
Neste momento pergunta o amigo leitor - que se for um dos habituais lampiões que por aqui anda, a esta hora nem quer saber, já está a saltar para a wikipedia a ver como é que pode responder aquela do Keyrison do último parágrafo - o porquê de toda esta conversa. Ora a resposta é: por causa das notícias que dizem que o defesa central do Desportivo de Maputo está a caminho do Sporting.
Voltando à bela analogia com a fruta, a primeira coisa para garantir que aquilo que escolhemos vai de encontro ao gosto de quem se vai sentar à mesa, é termos a certeza que toda a gente gosta de melão e não lhe apetece ananás ou banana. Neste caso, parece-me que o Sporting tem mais falta de defesas laterais e de um médio direito que possa fazer de Angulo, mas a mexer (é mexer com "m" minúsculo, atenção) e não de um defesa central - é verdade que temos lá o Polga e o Tonel, mas camandrão, ao pé do Pedro Silva, Abel, Grimi & Cia. até parecem nomeados ao "Balon d'or".
Depois e não tendo hipóteses de ir lá ver o rapaz a jogar à bola, nem sei se alguém do Sporting o terá feito - Moçambique é longe, a viagem deve ser cara e o clube está em contenção de custos e tal - podemos tentar ler nas entrelinhas de quem o conhece, para ver se se percebe o seu valor. E é aqui que entra Tiago Machaísse, antigo treinador do rapaz que não hesita em afirmar que Mexer (agora com "m" maíusculo) se trata de um novo de Boer ou um novo Ricardo Rocha. Espero bem que esteja a falar do Ricardo Rocha, o brasileiro que passou pelo Sporting e pelo Real Madrid e não o caceteiro que passou pelo Benfica e que anda por Inglaterra; é que nesta 2ª hipótese, desligo já a porra do pc e dedico-me à aquacultura, como o outro.
Além do normal barrete que se leva, quando se está a comprar o "novo" qualquer coisa, que nos devia deixar já com a pulga atrás da orelha, há mais nas palavras do Sr. Machaísse que me deixam inquieto. Ora diz o técnico que o seu antigo pupilo terá que trabalhar "os timings no acompanhamento dos avançados, porque às vezes é apanhado em contra-pé". Ui! Isto promete. É um jogador com "margem de progressão", que é como quem diz ainda é muito tenrinho e quando aí chegar é bom que se preparem para o gajo meter umas argoladas. Que é mesmo aquilo que o Sporting está a precisar; como já somos uma equipa estabilizada e muito segura, o que precisamos mesmo é de jovens (de 24 anos) com margem de progressão para virem aprender para o clube!
Estou mesmo a ver que este Mexer é para pôr a mexer no final da temporada. Ou como dizia a outra, a da foto, "não pode mexer nos meus melão, não!".